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04/04/2008 - A Noite das Mal Dormidas-crítica de Marici Salomão


NA BUSCA DE MAIS ADESÃO

 

 

Crítica: Marici Salomão

Mapa Cultural Paulista-Fase Estadual

 

 

          O cotidiano tragicômico de três mulheres solteironas é o tema desta montagem dirigida por Denílson Biguete. O texto de Neils Petersen faz uso de um tema caro à década de 70, época em que foi produzido: a liberação dos desejos reprimidos da mulher. Por isso, o tom tragicômico está oportunamente presente no texto: parte-se das emanações grotescas das conversas e ações cotidianas dessas mulheres em direção a um final redentor, no qual as máscaras caem e as fantasias antes recalcadas, agora elaboradas em confissão urgente, materializam-se.

         A montagem da  Mênades & Sátiros Cia De Teatro, faz do palco, em primeiro lugar, laboratório de experiência da forma, o que é sempre um ponto de partida positivo para a construção de um conceito que fuja do óbvio. No caso , o grupo investe no estilismo da cena, pontuando-a por um cenário mínimo: três cadeiras altas, pernas laterais e uma moldura de janela – elementos criados na cor branca, remetendo à virgindade que, real ou fictícia, é o escudo moralista com o qual se armam as personagens.

         Os gestos das protagonistas também foram altamente estilizados, afastando-se do realismo para adentrar o campo do automatismo – toques de mecanicidade pontilham o universo dessas mulheres.

         Os figurinos de Ivan Santos, ponto alto da montagem, formam mosaicos de preto e branco em cada vestido. Conferem beleza à cena e reforçam a composição dos tipos.

          Porém, a despeito do conceito plástico, é preciso reforçar o risco assumido pelo elenco ao abandonar o campo do realismo grotesco em prol de uma “sublimação” estilística dos gestos. Neste caso, a rigidez da partitura praticamente engessa as possibilidades cômicas dos atores.

           Antonio Junior, Jackson Almir e Thiago Cardoso interpretam respectivamente, Dalva, Margarida e Hortência. São atores dotados de presença cênica, mas foram muito cobrados na fixação do chiste físico. Estão excessivamente endurecidos pela moldura muscular e pela rigidez da voz em falsete. Se relaxassem, poderiam continuar respeitando a partitura estilizada da direção, mas com matizes interpretativos que corroborariam em mais adesão do público.

           Um comentário de passagem: a rigidez dos atores é tão grande que não sobra nenhum espaço para a improvisação (mínima que fosse, e que nas comédias grotescas é sempre janela de comunicação efetiva com o público).

           Afinal, uma comédia convoca ao riso e não pode ser delegada quase que exclusivamente ao texto.

 

 

 

 

 

 

 

 








Fonte: Assessoria de Imprensa-Abaçaí Cultura e Arte

   
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