A SERPENTE, de Nelson Rodrigues
Direção: Denílson Biguete
Encenação: Mênades & Sátiros Cia de Teatro
CONCEPÇÃO DO ESPETÁCULO
Falamos da relação humana. Aqui, a familiar.
Falamos de amor e de morte. Passamos pelo desejo.
A serpente é uma obra inquietante, não diferente das outras dezesseis obras do autor.
É o mais curto dos seus textos, um único ato.
Duas irmãs, casadas, inclusive na mesma data, moram juntas em um apartamento presenteado pelo pai. Uma parede separa uma intimidade da outra. Lígia após um ano de casada se sente infeliz. E numa ameaça de suicídio tentando se jogar do décimo segundo andar aparece Guida, a outra e propõe-lhe uma noite de amor com seu marido Paulo. Ambos se envolvem numa paixão repentina. É deflagrado em 55 minutos um turbilhão de sentimentos corrosivos, num clima de desvario, insanidade e luxuria.
A encenação proposta, transfigura-se de todo esse aparato estético e revela um espetáculo de unidade orgânica, de imaginário sombrio. Nada é definitivo.
Dividido em 13 cenas, a montagem segue uma estrutura dramática não realista, beira ao expressionismo sem perder de vista o lirismo proposto em alguns recortes de cenas.
As ações simultâneas no espetáculo, anulam a separação dos quartos e ao mesmo tempo a aproximação dos personagens permite uma pequena dose de interação com o público. Isto se revela mais fortemente nos monólogos, quando os personagens, refletindo seus pensamentos, se dirigem abertamente ao público causando um estranhamento provocado pela quebra do texto, ou quebra da ilusão. Isto nos faz lembrar a todo momento que estamos diante de uma obra de ficção.
Outra característica marcante do texto e mantido na encenação são as mudanças rápidas nas ações o que provoca uma vertigem, um constante desequilíbrio, uma tensão. Os personagens transcendem uma histeria contida e que ao longo do espetáculo vai se enveredando a um destino já determinado.
As irmãs, Ligia e Guida, embora se amando profundamente disputam o mesmo homem. E é na formação do triângulo amoroso que esse amor é colocado a prova. A metáfora do amor absoluto das irmãs é deflagrado no espetáculo através do espelhamento. A semelhança entre elas não é apenas físico. Uma só existe pelo amor da outra. Trata-se de um único corpo. Um único rosto. O espelho é invertido e a outra face é revelada no momento em que descobrem que não poderiam mais ser felizes juntas.
``O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É degradante que um homem deseje a mãe dos seus próprios filhos.´´
SINOPSE
Em um mesmo apartamento presenteado pelo pai, duas irmãs vivem com seus maridos em quartos vizinhos. Tendo celebrado seu casamento no mesmo dia em que a irmã, Lígia vê sua relação se desfazer logo na primeira cena da peça, com Décio, seu marido, indo embora de casa sem nunca ter sido capaz de consumar o casamento. Virgem após um ano de casada, abandonada pelo marido, ela entra em desespero e ameaça se jogar pela janela. É Guida, a irmã, quem evita a tragédia oferecendo à Lígia uma noite de amor com seu marido, Paulo. Ambos se envolvem numa paixão repentina e a impossibilidade de viver esse amor as levará a cumprirem destinos incertos.
Ficha Técnica
Direção: Denílson Biguete
Orientação Projeto Ademar Guerra: Leonardo Antunes
Cenários: Fabrícia Mitiko
Figurinos:Ivan Santos
Iluminação: Luiz Progetti
Trilha Sonora: Denílson Biguete
Fotografia: Paulo Brasil
Maquiagem: Junior Benites
Adereços: O grupo
Designer gráfico: Cláudio Weiser
Produção: Olho Nu Promoções e Eventos
Elenco
Giovana Galindo
Ítalo Antunes
Janaine Gazzani
Thiago Cardoso
Valéria Santos
Temporada:
27 de Junho a 8 de Agosto/2010
Sempre aos domingos, às 20h
No Lugar das Artes
Rua Julio Prestes, 471- Jardim Aviação
Informações: 18-3917-3797
lugardasartes@gmail.com
www.lugardasartes.com.br
Ingressos:
Inteira: $14,00
Meia: $ 7,00
Fonte: LUGAR DAS ARTES